Eu
era pequena, estava estudando, de repente alguém veio me chamar na sala. Eu fui
e não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo. Não falaram muita coisa,
só para eu acompanhá-los.
Fui
parar em um lugar que eu nunca tinha ido. Lá tinha muitas crianças e
adolescentes. Achei que estava lá a passeio, mas a tarde passou e eles não me
levaram embora. Eu só queria ir com minha mãe. Lembro que me deram banho,
jantei e fui dormir.
Foram
passando os dias e eu nunca mais fui embora daquele orfanato. Fiquei totalmente
perdida naquele lugar e estava com minha irmã mais velha. Lá eu chorava de
saudade e sorria ao brincar com tantos brinquedos.
Fiquei
lá por alguns anos e depois fui saber o motivo: os vizinhos tinham denunciado a
gente. Minha mãe estava totalmente nas drogas junto com meu padrasto e eles não
estavam em condições de criar eu e minhas irmãs. Minha tia Marlene, que pegou a
gente do conselho, só tinha nossa guarda provisória.
Com
o passar do tempo fomos crescendo até que uma mulher conhecida da minha tia
Marlene queria que eu morasse com ela, e eu era pequena e fui.
Passei
muitas coisas nessa nova família de estranhos. Era assim que eu me sentia no
começo - uma estranha - e eu tinha muita vergonha. Muitas vezes me sentia
desprezada e me jogavam na cara que eu não ia ser nada na vida.
A
partir desse tempo fui crescendo e aprendendo seus costumes, fui me adaptando ä
família e hoje posso dizer que considero muitos deles como minha família verdadeira,
e eles me consideram também.
Comecei
a freqüentar a igreja com eles e segui tal religião, a qual estou até o dia de
hoje e eu amo o que faço lá. Acredito que é realmente a igreja certa para eu
seguir o resto da minha vida, e creio que foi uma obra de Deus o fato de meu
pai ter morrido atropelado quando eu ainda nem tinha nascido, minha mãe e meu
padrasto viciados em drogas, eu ter ido para uma família que não era nada de
mim, mas que me acolheu com amor, como se eu fosse do seu sangue. Se não fosse
essa família, onde eu estaria agora?
Mas
ainda às vezes me vêm lembranças da minha mãe, de onde ela deve estar, e quando
vejo já estou caindo em lágrimas. Eu não posso ouvir falar sobre o meu passado
que começo a chorar, pensando que as coisas podiam ser diferentes. Eu poderia
ter nascido da minha tia Matilde, assim eu teria uma mãe comigo ao meu lado.
Não
sei se é engraçado ou triste, mas de vez em quando chega o dia das mães e eu
fico com vergonha de dar presente pra ela e falar “feliz dia das mães”. É uma
frase curta, mas com muito efeito. Toda vez eu choro.
Acho
que não passa um dia sem escorrer uma lágrima do meu rosto. Muitos falam que eu
sou um poço de água, choro por alegria, tristeza, felicidade, amor. Tudo é
motivo para eu chorar.
Hoje
estou deitada nesse banco, escrevendo minha história, rindo e até emocionada,
lembrando de cada momento da minha infância até agora. Nossa! Como o tempo
passa rápido!
Estou
com 16 anos, procuro sempre estar alegre, rindo mesmo que por dentro de mim
esteja atribulada.
Um
dos motivos da minha felicidade hoje é meu príncipe encantado (achei que
príncipes não existiam, mas existem sim). Estamos juntos há 8 meses e eu o amo
pelo que ele é comigo, por ele me completar, me fazer completamente feliz. Nas
horas mais complicadas da minha vida ele tenta me ajudar da melhor forma que
consegue. Sei que foi Deus quem o colocou na minha vida, e quero construir
minha família com ele.
No
final do ano vamos noivar e ano que vem vamos nos casar. Nossa! Todos acham que
sou completamente louca por casar tão nova. Falam que eu tenho que curtir a
vida, mas não, eu não tenho nada para curtir, apenas quero curtir com ele e com
minha família.
Tenho
muitos sonhos e com meu esforço vou lutar e conquistar todos.

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