sexta-feira, 9 de maio de 2014

Meu passado não me atinge




Eu era pequena, estava estudando, de repente alguém veio me chamar na sala. Eu fui e não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo. Não falaram muita coisa, só para eu acompanhá-los.
Fui parar em um lugar que eu nunca tinha ido. Lá tinha muitas crianças e adolescentes. Achei que estava lá a passeio, mas a tarde passou e eles não me levaram embora. Eu só queria ir com minha mãe. Lembro que me deram banho, jantei e fui dormir.
Foram passando os dias e eu nunca mais fui embora daquele orfanato. Fiquei totalmente perdida naquele lugar e estava com minha irmã mais velha. Lá eu chorava de saudade e sorria ao brincar com tantos brinquedos.
Fiquei lá por alguns anos e depois fui saber o motivo: os vizinhos tinham denunciado a gente. Minha mãe estava totalmente nas drogas junto com meu padrasto e eles não estavam em condições de criar eu e minhas irmãs. Minha tia Marlene, que pegou a gente do conselho, só tinha nossa guarda provisória.
Com o passar do tempo fomos crescendo até que uma mulher conhecida da minha tia Marlene queria que eu morasse com ela, e eu era pequena e fui.
Passei muitas coisas nessa nova família de estranhos. Era assim que eu me sentia no começo - uma estranha - e eu tinha muita vergonha. Muitas vezes me sentia desprezada e me jogavam na cara que eu não ia ser nada na vida.
A partir desse tempo fui crescendo e aprendendo seus costumes, fui me adaptando ä família e hoje posso dizer que considero muitos deles como minha família verdadeira, e eles me consideram também.
Comecei a freqüentar a igreja com eles e segui tal religião, a qual estou até o dia de hoje e eu amo o que faço lá. Acredito que é realmente a igreja certa para eu seguir o resto da minha vida, e creio que foi uma obra de Deus o fato de meu pai ter morrido atropelado quando eu ainda nem tinha nascido, minha mãe e meu padrasto viciados em drogas, eu ter ido para uma família que não era nada de mim, mas que me acolheu com amor, como se eu fosse do seu sangue. Se não fosse essa família, onde eu estaria agora?
Mas ainda às vezes me vêm lembranças da minha mãe, de onde ela deve estar, e quando vejo já estou caindo em lágrimas. Eu não posso ouvir falar sobre o meu passado que começo a chorar, pensando que as coisas podiam ser diferentes. Eu poderia ter nascido da minha tia Matilde, assim eu teria uma mãe comigo ao meu lado.
Não sei se é engraçado ou triste, mas de vez em quando chega o dia das mães e eu fico com vergonha de dar presente pra ela e falar “feliz dia das mães”. É uma frase curta, mas com muito efeito. Toda vez eu choro.
Acho que não passa um dia sem escorrer uma lágrima do meu rosto. Muitos falam que eu sou um poço de água, choro por alegria, tristeza, felicidade, amor. Tudo é motivo para eu chorar.
Hoje estou deitada nesse banco, escrevendo minha história, rindo e até emocionada, lembrando de cada momento da minha infância até agora. Nossa! Como o tempo passa rápido!
Estou com 16 anos, procuro sempre estar alegre, rindo mesmo que por dentro de mim esteja atribulada.
Um dos motivos da minha felicidade hoje é meu príncipe encantado (achei que príncipes não existiam, mas existem sim). Estamos juntos há 8 meses e eu o amo pelo que ele é comigo, por ele me completar, me fazer completamente feliz. Nas horas mais complicadas da minha vida ele tenta me ajudar da melhor forma que consegue. Sei que foi Deus quem o colocou na minha vida, e quero construir minha família com ele.
No final do ano vamos noivar e ano que vem vamos nos casar. Nossa! Todos acham que sou completamente louca por casar tão nova. Falam que eu tenho que curtir a vida, mas não, eu não tenho nada para curtir, apenas quero curtir com ele e com minha família.
Tenho muitos sonhos e com meu esforço vou lutar e conquistar todos.

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