sexta-feira, 30 de maio de 2014

Superando a mim mesmo






 Entre os 7 e 8 anos de idade, enfrentei minha primeira reprovação. Preocupados, os professores decidiram convocar minha mãe, Rose, para uma reunião, onde seria exposta minha situação, pois eu não estava preparado para ir para o 3º ano devido minha dificuldade para aprender.
Entretanto, minha mãe preferiu que eu fizesse a 2ª série novamente, e começou a buscar saber o que eu tinha. Foi atrás de uma neurologista, que fez vários exames e descobriu que eu tinha dislexia. Minha mãe achou que eu nunca saberia ler nem escrever. A neurologista me encaminhou para fonoaudiólogo e psicólogo, e também aulas particulares. Com todos esses tratamentos eu comecei a ler e a escrever. Passados alguns anos pedi baixa do psicólogo, porque não achava que era mais necessário, e logo em seguida das aulas particulares e, depois, da fono, porque eu queria seguir sozinho com minha dificuldade.
Me chamo Pedro Sergio, tenho 16 anos, esta é minha história de superação. Agora, depois de um bom tempo estou na Guarda Mirim, que é uma oportunidade incrível.
Comecei na Guarda Mirim no dia 11 de março de 2013. Foi uma sensação muito legal, pois eu ia ter uma oportunidade que vários não tiveram. No começo eu ia para a Guarda de manhã e depois para casa, e só de noite que eu ia para a escola. Ao passar de alguns meses eu fui chamado para uma entrevista na Robert Bosch Ltda, e foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida. Passei na entrevista e não pretendo sair de lá, porque é a melhor empresa, quero seguir carreira por muito tempo.
Agora a minha vida é uma correria, pois fico o dia inteiro fora de casa, mas isso é muito bom, estou fazendo a coisa certa para meu futuro.
Futuramente pretendo fazer faculdade de engenharia civil e arquitetura, quero ter uma empresa, dois filhos – um casal – e vou dar a eles a educação que minha mãe me deu e tudo do melhor, mas principalmente o estudo, que hoje em dia é tudo na vida.    

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Entre os Mundos






No inverno de 1998, em Curitiba, nasceu uma criança prematura e um pouco pequena. Seu nome: Álvaro. Já no começo da minha vida tive problemas. Quando estava sendo gerado, meu pé ficou preso e teve dificuldades de se formar. Como ele não conseguia se mover, ele nasceu com a ponta junto ä canela. Após usar o gesso por um mês, o meu pé se corrigiu e começou a crescer normalmente.
Filho de dois médicos, o meu futuro parecia promissor. Minha mãe sempre cuidou de mim, minha tia era muito carinhosa, eu gostava muito dela, eu não a chamava pelo nome, mas sim de “me”. O meu tio eu não via muito, mas mesmo assim eu gostava dele.
Era essa a minha vida enquanto eu era muito pequeno: simples, mas agradável. Não durou muito: com seis meses meus pais brigaram, e com isso meu pai me jogou na cama e o controle remoto da TV acertou minha cabeça, onde até hoje carrego uma cicatriz. Naquele dia eles se separaram e eu continuei a morar com minha mãe, e a cada 15 dias via meu pai.
Já com dois anos de vida, as lembranças se tornam mais claras. Passava muito tempo trocando de escolas, sempre perto de casa. Nessa ocasião tive meu primeiro bicho de estimação, um cão poodle chamado Cuca, eu gostava muito de brincar com ela, mas infelizmente a roubaram, e eu fiquei muito triste.
Aos poucos fui voltando a ser feliz, mas no dia 21 de maio de 2005 minha vida mudou por completo. Meu pai, que há muito tempo eu não via, pois me tratava mal, foi para a vara da família e conseguiu a minha guarda. Lembro que minha mãe me deixou em uma sala e logo depois meu pai apareceu. Eles me colocaram dentro do carro, eu ainda lembro dos gritos ecoando pelo prédio. Este foi o dia mais triste que eu  tive em minha vida.
Naquele dia o inferno começou. No mesmo dia meu pai me trocou de colégio. Eu chorava todos os dias, um pouco de tristeza, outro de desespero, mas a maior parte era de saudades. Mas não importava o quanto eu chorasse, não tinha resposta.
Quando comecei no outro colégio, na metade do ano letivo, o conteúdo era novo e eu não conseguia acompanhá-lo. As amizades já tinham se formado e fiquei completamente só. O meu pai me matriculou no período integral, então eu ficava o dia inteiro lá. Ele me acordava às 6 da manhã para me levar ao colégio e vinha me buscar 10 da noite, mas as aulas acabavam 6 da tarde, e eu ficava sozinho sem ter o que fazer, só me restava esperar por ele.
Quando eu ficava sozinho com meu pai, ele me ignorava por completo. Algum tempo depois começou a me bater, não sei dizer o porquê, mas ele me batia. A minha mãe, a pessoa que eu mais amava e me confortava na vida, passei anos sem vê-la, pois fazia parte da sentença da juíza que se ela me visse, seria presa.
Após longos quatro anos eu sofri, cheguei a um ponto em que eu não tinha mais motivos para viver, passando dia após dia em um inferno sem fim. Com o passar do tempo os juízes foram trocando até que uma juíza decidiu me ouvir, então ela deixou eu ver minha mãe. Eu mal podia acreditar! No dia 12 de setembro de 2008 foi a audiência em que fui ouvido, foi o dia mais feliz que já vivi porque nesse dia eu voltei a morar com minha mãe.     
Minha vida mudou novamente, para melhor. Ainda me lembro de chegar em casa, ver meu quarto, os meus brinquedos, minha gata, minha família. Enfim, eu estava em casa!
Aos poucos recuperei a vontade de viver, de estudar, de ter novos interesses. Troquei de colégio, fui para um onde os colegas e os professores me tratavam com respeito, fiz um monte de tratamento psicológico por ordem do juiz. As pessoas não entendiam que eu não precisava de psicólogos, mas sim do amor da minha família.
Hoje meu sonho é conseguir ir bem no colégio para fazer faculdade de Direito e um dia me tornar juiz, e não deixar outras crianças passarem o que passei.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Recuperação de uma vida




 Durante cinco anos de minha vida andei no pior caminho que alguém pode andar. Não desejo nem ao meu pior inimigo. Andei pelo caminho das drogas, e isso é uma perda total de dinheiro e de tempo. Fumei muita maconha, cheirei muita cocaína e bebia como louco. A música “Estilo Cachorro”, do Racionais, era o meu tema naquela época.
Eu dependia da minha mãe e do meu pai, mas nem sempre era possível ganhar uma grana para sair e cometer erros, que fizeram parte da minha vida. E eu gostava. Pensava que, se eu não gostasse daquilo, para que viveria?
No momento em que você tá mal emocionalmente, se sentindo a pior pessoa do mundo, acaba se descontrolando e fazendo coisas erradas. Aquele garoto que saía de tarde, de madrugada, para fumar maconha e beber ficou para trás, porque botei a mão na consciência e pensei em tudo que minha família passou e sofreu por mim, e eu então ficava arrasado por eles se sentirem mal comigo, pois eu sempre dava motivos para me darem conselhos e aquela conversa brava. Aquelas conversas mexiam com a minha cabeça e pesavam no meu coração.
A última vez que tive a conversa, usei como motivação para criar vergonha na cara e parar com essas coisas erradas, mas antes precisava me afastar dos “caras”, dos “rolês” e das “minas”. Foi difícil, mas não impossível.
Fui para uma clínica de recuperação e fiquei até enjoar daquele lugar, ficar longe da minha família, mas eles sabiam que era necessário. Lá conheci muitas pessoas com problemas mais graves que o meu. Era difícil conviver, de aguentar, mas lá eu tinha a paz de Deus para me focar e me fortificar para a motivação de estar lá, conhecer e seguir o caminho certo.
Fiquei sete meses lá, mas pareceu sete anos, pois vi vários irmãos irem embora, desistirem do tratamento, vi vários deslizarem e voltar. Alguns não voltavam, mas orávamos pela segurança daquela pessoa, porque lá dentro é sossegado, mas quando sai as tentações começam a aparecer em todo lugar, toda hora, sempre. Mas quem é forte resiste.
Lutei e venci meus vícios com a força da mente e da paciência. Eu sofri muito na vida seguindo o caminho errado, mas agora eu só estou emergindo tudo o que aconteceu para não entrar novamente, estou bem na vida, minha família restaurada e unida, o que é o melhor de tudo. Não preciso voltar a ser o que era porque não vale a pena.
Minha família mudou tanto quanto eu, porque eles não me viam sempre, mas quando me viam  choravam de emoção, pois engordei, mudei meu jeito de falar. Ficava feliz, porque nem todas as pessoas dessa vida conseguem sair dela, não têm apoio da família e dos amigos. Mas quem não tem esse apoio pode contar com o pai de todos, o Deus todo poderoso. Só Ele pode aliviar corações, problemas, dificuldades, erros. Só Ele pode fazer o impossível, restaurar e abençoar vidas. Às vezes usa pessoas para falarem com você sobre o que você fez ou o que você vai ser para Ele.
Hoje em dia as pessoas preferem sair para festar, pegar mulheres, beber e usar drogas ao invés de seguir Jesus, filho maravilhoso de Deus que se sacrificou por todos os pecadores.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Meu passado não me atinge




Eu era pequena, estava estudando, de repente alguém veio me chamar na sala. Eu fui e não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo. Não falaram muita coisa, só para eu acompanhá-los.
Fui parar em um lugar que eu nunca tinha ido. Lá tinha muitas crianças e adolescentes. Achei que estava lá a passeio, mas a tarde passou e eles não me levaram embora. Eu só queria ir com minha mãe. Lembro que me deram banho, jantei e fui dormir.
Foram passando os dias e eu nunca mais fui embora daquele orfanato. Fiquei totalmente perdida naquele lugar e estava com minha irmã mais velha. Lá eu chorava de saudade e sorria ao brincar com tantos brinquedos.
Fiquei lá por alguns anos e depois fui saber o motivo: os vizinhos tinham denunciado a gente. Minha mãe estava totalmente nas drogas junto com meu padrasto e eles não estavam em condições de criar eu e minhas irmãs. Minha tia Marlene, que pegou a gente do conselho, só tinha nossa guarda provisória.
Com o passar do tempo fomos crescendo até que uma mulher conhecida da minha tia Marlene queria que eu morasse com ela, e eu era pequena e fui.
Passei muitas coisas nessa nova família de estranhos. Era assim que eu me sentia no começo - uma estranha - e eu tinha muita vergonha. Muitas vezes me sentia desprezada e me jogavam na cara que eu não ia ser nada na vida.
A partir desse tempo fui crescendo e aprendendo seus costumes, fui me adaptando ä família e hoje posso dizer que considero muitos deles como minha família verdadeira, e eles me consideram também.
Comecei a freqüentar a igreja com eles e segui tal religião, a qual estou até o dia de hoje e eu amo o que faço lá. Acredito que é realmente a igreja certa para eu seguir o resto da minha vida, e creio que foi uma obra de Deus o fato de meu pai ter morrido atropelado quando eu ainda nem tinha nascido, minha mãe e meu padrasto viciados em drogas, eu ter ido para uma família que não era nada de mim, mas que me acolheu com amor, como se eu fosse do seu sangue. Se não fosse essa família, onde eu estaria agora?
Mas ainda às vezes me vêm lembranças da minha mãe, de onde ela deve estar, e quando vejo já estou caindo em lágrimas. Eu não posso ouvir falar sobre o meu passado que começo a chorar, pensando que as coisas podiam ser diferentes. Eu poderia ter nascido da minha tia Matilde, assim eu teria uma mãe comigo ao meu lado.
Não sei se é engraçado ou triste, mas de vez em quando chega o dia das mães e eu fico com vergonha de dar presente pra ela e falar “feliz dia das mães”. É uma frase curta, mas com muito efeito. Toda vez eu choro.
Acho que não passa um dia sem escorrer uma lágrima do meu rosto. Muitos falam que eu sou um poço de água, choro por alegria, tristeza, felicidade, amor. Tudo é motivo para eu chorar.
Hoje estou deitada nesse banco, escrevendo minha história, rindo e até emocionada, lembrando de cada momento da minha infância até agora. Nossa! Como o tempo passa rápido!
Estou com 16 anos, procuro sempre estar alegre, rindo mesmo que por dentro de mim esteja atribulada.
Um dos motivos da minha felicidade hoje é meu príncipe encantado (achei que príncipes não existiam, mas existem sim). Estamos juntos há 8 meses e eu o amo pelo que ele é comigo, por ele me completar, me fazer completamente feliz. Nas horas mais complicadas da minha vida ele tenta me ajudar da melhor forma que consegue. Sei que foi Deus quem o colocou na minha vida, e quero construir minha família com ele.
No final do ano vamos noivar e ano que vem vamos nos casar. Nossa! Todos acham que sou completamente louca por casar tão nova. Falam que eu tenho que curtir a vida, mas não, eu não tenho nada para curtir, apenas quero curtir com ele e com minha família.
Tenho muitos sonhos e com meu esforço vou lutar e conquistar todos.