sexta-feira, 27 de junho de 2014

Passagens boas e ruins






8 anos (2006)

Minha primeira lembrança é de quando eu tinha 8 anos de idade, e também é uma das poucas boas que eu tenho. Eu fiz um amigo, e ele e tornou uma das pessoas mais especiais que passaram na minha vida, porque quando criança eu era um garoto muito tímido e não tinha lá muitos amigos. Mas quando essa pessoa virou meu amigo parece que tudo começou a melhorar, porque eu tinha um amigo de verdade e o nome dele era Alexandre Dias.

11 anos (2009)

Entre meus 10 e 11 anos, eu e o Alex já estávamos em amizade sincera e profunda, porque sempre que eu precisava de ajuda e arrumava problemas na escola, era sempre ele quem me ajudava e me defendia. Mas no dia 28 de maio de 2009 aconteceu um dos maiores desastres da minha vida... eu perdi meu único e melhor amigo nos meus braços e eu ainda me sinto culpado pela morte dele. Eu poderia ter salvado sua vida. Depois daquele maldito dia, eu nunca mais consegui olhar para uma carta de yugh-yoo (desculpa não entrar em muitos detalhes, não gosto de falar sobre esse assunto).
Ainda aos meus 11 anos, depois de passar por vários psicólogos, eu me tornei uma pessoa fria, briguenta, mal humorada, enfim, eu me tornei uma pessoa sem sentimentos, neutra, não conseguia ficar nem triste e nem feliz. Porém,apareceu a melhor pessoa na minha vida, o meu padrinho chamado Luiz André. Ele era especial porque com apenas um abraço ele me tornou a pessoa mais feliz do mundo. Ele foi meu psicólogo particular, e se não fosse ele, você não estaria lendo isso.
Certo dia, aos meus 11 anos, minha “mãe” (que sempre me culpa pela morte do Alex) queria me tirar de casa, simplesmente porque ela tinha medo de mim, e eu liguei para o meu padrinho, que veio me buscar imediatamente para morar com ele. No caminho para casa, meu padrinho colidiu seu carro com um caminhão da Coca-Cola (nunca mais tomei essa merda) e morreu na hora. Bom, depois disso minha “mãe”, uma velha maldita, que sempre me maltratara, me culpou pela morte do meu padrinho também, e foi assim até os meus 14 anos.
Durante o tempo que eu estava quase me matando, porque eu não agüentava mais sofrer, meu padrinho aparecia nos meus sonhos. Ele me dava conselhos e forças para continuar a viver. Depois disso eu comecei a pensar no futuro, e que eu deveria arrumar meu presente.

13 anos (2011)

Aos meus 13 anos, eu já era um garoto mais alegre e de bem com a vida, e também tinha muitos amigos. Mas mesmo assim as lembranças do meu padrinho e do Alexandre continuavam a me perturbar.

14 anos (2012)

Descobri que minha "mãe" era na verdade minha madrasta. Quando nasci, meu pai traía minha mãe verdadeira com esta mulher, e quando minha mãe descobriu, ela fugiu, me deixando com meu pai e minha madrasta.

15 anos (2013)

No final de 2013, descobri as três peças-chave para me fazer feliz por completo. A primeira são os livros. Depois que comecei a ler eu descobri um mundo novo, muito diferente deste que eu vivo. A segunda é a banda Pink Floyd. Depois de ouvir a música desses homens, eu nunca mais fui o mesmo, porque as letras me deram um soco na cara e me mostraram um jeito novo de enxergar o mundo, como por exemplo a música Time. E a última peça, mas não menos importante, se chama Sra. M. Quando a conheci, eu pensei que ela seria apenas mais uma garota normal na minha vida. Mas ela se tornou a pessoa mais importante para mim no momento. Tudo começou no dia 18 de setembro de 2013. Ela veio me dar alguns conselhos pelo Facebook, e de repente já marcamos de sair no dia 21 (o melhor dia da minha vida). Quando saímos, eu não esperava ter tanta intimidade com ela. Nós rimos, nos divertimos, conversamos, zoamos e fomos ao melhor lugar do mundo, que nós batizamos de “o cantinho” (não posso falar dele para ninguém, foi uma promessa que fizemos, e eu não quebro promessas). Depois de sete dias nós fomos a um concerto de um amigo nosso, e lá tocou a música que dediquei a ela, chamada Wish you were here. Depois de ouvi-la nos beijamos e começamos a namorar por um tempo, até ela fazer umas cagadas, mas eu a perdoei e até esses dias nós fomos amigos coloridos.
Certo dia eu surtei e estava quase me matando, e se não fosse ela, eu não estaria vivo. Ela me disse uma frase assim: “sorria, sorria por estar vivo, porque esse é seu dever, danem-se os problemas, apenas sorria”, e foi isso que eu fiz.

Obs: O editor deste blog tomou a liberdade de cortar alguns trechos do texto original, pois o essencial deste relato eram estas passagens que você acabou de ler.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Sonhar






Talvez o maior desafio seja dizer quem sou. Nunca pensei que algum dia tivesse que descrever-me de tal maneira. Há tempo tenho buscado as palavras certas, mas não tem sido nada fácil. Certamente eu não saiba quem eu sou ainda, mas espero que até o final deste desafio eu possa ao menos lhe dizer meu nome.
Ao final do tempo ouvia-se o som estridente do apito que indicava o fim dos melhores 30 minutos de um time. Lá estava eu, cheia de orgulho por fazer parte de uma equipe que acabara de vencer o campeonato regional de handebol. Mesmo estando muito feliz, logo me veio à mente que esse seria o último jogo no qual eu participaria, então me veio a sensação de insatisfação.
Peço que me desculpe, caro leitor, acredito que estou sendo um pouco indelicada, pois ainda não me apresentei. Permita que me apresente formalmente. Me chamo Renata, tenho 16 anos, faço parte do Centro de Integração diva Pereira Gomes, mais conhecido como Guarda Mirim.
Finalmente tenho o privilégio de trabalhar na empresa Robert Bosch, uma multinacional alemã. Há pouco tempo fui transferida para o Colégio estadual do Paraná. Ainda não me adaptei com a nova escola, pois é sempre um desafio mudar de colégio.
Alguns anos mais tarde, estou mais uma vez seguindo a cansativa rotina de acordar cedo, ir para a Guarda Mirim, trabalhar e, por fim, durante a noite, estudar.
Acredito que, para você, eu seja só mais um jovem com uma rotina cansativa, mas além disso continuo sonhando e acreditando que voltarei a fazer o que mais me satisfaz – jogar handebol – e que em algum momento se eu der sorte, possa fazer parte do time brasileiro deste esporte.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Um diferencial






Meu nome é Yesica Naomi Gonzáles de Lima, nasci na Argentina, na cidade de Posadas-Misiones. Minha mãe, Elida Gonzáles de Lima, vaio para o Brasil quando eu tinha três anos e meio, e meu “pai”- palavra com nenhum significado para tal – ficou lá, o que fez com que eu não o conhecesse.
Tudo começou quando minha mãe e eu entramos ilegalmente no Brasil e, até poucos meses atrás, continuávamos ilegais, pois para conseguir o documento não foi tão simples. Precisava do financeiro e da polícia federal.
Como minha mãe veio para o Brasil para conseguir emprego, o financeiro já não ajudava nesse processo. Também quando tinha esse dinheiro, a polícia era falha, pois apesar de o Brasil ser um dos melhores lugares para o estrangeiro viver, eles não dão o mínimo para o que os estrangeiros precisam.
Com o tempo, minha mãe foi conseguindo pagar a documentação e, no momento, na própria polícia federal do Paraná, deram um prazo de 1 ano para lá em Brasília eles acompanharem o nosso caso, e conseguimos a identidade definitiva.
Aí se pergunte, como ficamos no Brasil de forma ilegal todos esses anos? Foi a partir do nascimento do meu irmão que pudemos continuar morando no Brasil. Com isso, minha mãe pôde fazer a carteira de trabalho, eu pude estudar, e conquistando essas coisas ajudou nossa permanência.
De outro lado, vem a rivalidade entre o Brasil e a Argentina, na questão do futebol. Então, comigo não havia preconceito, pois sempre levei na brincadeira. Por exemplo, “vou te importar novamente”, e etc, e hoje gosto de ter esse diferencial, uma história para contar.
Sobre minha infância, não me lembro muito bem, mas me criei com o melhor que minha mãe pôde me dar e com a educação rígida do meu padrasto, que considero como pai. E também com a companhia do meu irmão, que é cinco anos mais novo.
Desde cedo, já estava matriculada na área escolar, e graças a Deus (religião é uma coisa que aprendi e sigo, através dos meus pais) não reprovei nenhuma vez. E agora, com dezesseis anos, estou terminando o ensino médio e pretendo fazer faculdade, porém a escolha é difícil.
O meu dia hoje se resume em estudar, trabalhar e fazer cursos. Tudo isso com disciplina, responsabilidade e tendo altos e baixos, até porque não sou 100%.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A Desconhecida



Na minha vida nada foi fácil, mas tenho meu pai e minha madrasta, que me apoiam e me dão muito amor e carinho. Bom, tudo começou quando minha mãe ainda era casada com meu pai, traía-o com meu tio e com seu melhor amigo. Após meu pai descobrir, ele foi morar com minha avó, mas do mesmo jeito minha mãe ia lá, e fez de tudo para engravidar, pensando que ele ficaria com ela. Na verdade foi isso que aconteceu, mas ela continuou a trair meu pai e eles acabaram se separando. Após isso eu nasci e ela não quis ficar comigo. As únicas coisas que ela disse foram: “Se você não cuidar dela eu vou deixá-la em qualquer lugar”.
Ele cuidou de mim. Trabalhava em um açougue, voltava bem tarde para casa e ainda ia me dar banho e comida. Nós morávamos na casa do meu tio, mas não cuidavam direito de mim. Depois que completei três anos, meu pai conheceu minha madrasta. Ela cuida de mim até hoje, que estou com dezesseis anos. Nós passamos por várias dificuldades, mas meu pai voltou a estudar e a fazer cursos que ganhou do trabalho. Ele batalhou muito para conseguir um cargo melhor, pois ele começou cavando buracos e agora é eletricista. Fez carteira de motorista e financiou uma casa, e mesmo com muitas dificuldades ele nunca desistiu. Teve um tempo que minha mãe queria a minha guarda, mas na verdade ela queria o dinheiro da pensão. Eu não quis ficar com ela. Para mim é uma desconhecida. Após isso ela passou a fazer várias coisas para se aproximar. Meu pai me obrigou a morar com ela para eu saber como ela é, e foi a pior coisa que já me aconteceu. Fiquei revoltada. Para mim era como se eu tivesse sido abandonada pela segunda vez. Comecei a fazer varias coisas de que não me orgulho, como fumar e beber.
Minha mãe é casada com o irmão caçula do meu pai e ela o traía com meu outro tio, na maior cara dura. Eu via tudo o que acontecia, e quando meu pai ficou sabendo de tudo, me levou para morar com ele novamente. Então eu mudei muito. Parei com meus vícios e a me esforçar ao máximo para dar orgulho ao meu pai.
Após tudo isso consegui a oportunidade aqui no Senai, e foi uma das melhores coisas que me aconteceram, pois consegui um trabalho maravilhoso, estou aprendendo várias coisas novas. Atualmente não falo com a minha mãe, mas vivo com minha madrasta, que supre todas as minhas necessidades de carinho e amor.