Meu
nome é Yesica Naomi Gonzáles de Lima, nasci na Argentina, na cidade de
Posadas-Misiones. Minha mãe, Elida Gonzáles de Lima, vaio para o Brasil quando
eu tinha três anos e meio, e meu “pai”- palavra com nenhum significado para tal
– ficou lá, o que fez com que eu não o conhecesse.
Tudo
começou quando minha mãe e eu entramos ilegalmente no Brasil e, até poucos
meses atrás, continuávamos ilegais, pois para conseguir o documento não foi tão
simples. Precisava do financeiro e da polícia federal.
Como
minha mãe veio para o Brasil para conseguir emprego, o financeiro já não ajudava
nesse processo. Também quando tinha esse dinheiro, a polícia era falha, pois
apesar de o Brasil ser um dos melhores lugares para o estrangeiro viver, eles
não dão o mínimo para o que os estrangeiros precisam.
Com
o tempo, minha mãe foi conseguindo pagar a documentação e, no momento, na
própria polícia federal do Paraná, deram um prazo de 1 ano para lá em Brasília
eles acompanharem o nosso caso, e conseguimos a identidade definitiva.
Aí
se pergunte, como ficamos no Brasil de forma ilegal todos esses anos? Foi a
partir do nascimento do meu irmão que pudemos continuar morando no Brasil. Com
isso, minha mãe pôde fazer a carteira de trabalho, eu pude estudar, e conquistando
essas coisas ajudou nossa permanência.
De
outro lado, vem a rivalidade entre o Brasil e a Argentina, na questão do
futebol. Então, comigo não havia preconceito, pois sempre levei na brincadeira.
Por exemplo, “vou te importar novamente”, e etc, e hoje gosto de ter esse
diferencial, uma história para contar.
Sobre
minha infância, não me lembro muito bem, mas me criei com o melhor que minha
mãe pôde me dar e com a educação rígida do meu padrasto, que considero como
pai. E também com a companhia do meu irmão, que é cinco anos mais novo.
Desde
cedo, já estava matriculada na área escolar, e graças a Deus (religião é uma coisa
que aprendi e sigo, através dos meus pais) não reprovei nenhuma vez. E agora,
com dezesseis anos, estou terminando o ensino médio e pretendo fazer faculdade,
porém a escolha é difícil.
O
meu dia hoje se resume em estudar, trabalhar e fazer cursos. Tudo isso com
disciplina, responsabilidade e tendo altos e baixos, até porque não sou 100%.

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